porta
“o que houve contigo”, e é bem provável que tu diga “nada, tô cansado”, como sempre, e ela vai continuar a te encher de lamúrias e tu vai adorar falar sobre ela, porque ela não sabe de mim, pouco soube, pouco sabe que eu fui embora, que eu bati de cara com a minha própria porta e que tu quer morrer.
(a vontade sempre parte de mim, de ir, de sair, embora eu venha e vá e muitas vezes não diga, não te diga, e finjo e finjo e finjo que eu não sei)
“deixa eu te dar um abraço”, ela diz, e com certeza o abraço dela vai valer muito mais do que os meus nestes últimos anos porque quando você diz que o amor fica pra depois porque ele existe e as outras coisas não existem, ele deixa de existir.
o meu desistiu. o meu abraço desistiu faz tanto tempo, deus sabe quanto tempo meu deus
“força”, ela diz, e depois ela morre, ou sou eu? ou fui eu quem morri há muito tempo?
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