ego
“acho melhor tu parar”, ele dizia, freando o tempo com as mãos abertas, com aquela calma dele toda, aquela serenidade de sempre, enquanto eu, descabelada em casa, de pijama de camiseta de banda dos anos 1970, chorando e maquiagem do dia borrada, claro, histérica, quebrando os copos e as plantas na parede, sujando toda sala e as paredes encardidas. eu segurava a raiva nos dentes e ele largava ironias soltas, algo sempre começando ” é como tu disse…”. e eu, agredida, dizia um palavrão desconcertado “eu nunca disse isso”. era sempre assim: ele naquela serenidade, naquela calma, jogando as cartas pra mim, sem culpa nenhuma, mas lá no fundo, no ego, quem jogava os copos era sempre ele, que chorava, que gritava raivoso dentro dele. e era eu, eu que no jogo de máscaras, deixava a emoção transbordar e a loucura fazer de conta que era louca, isso pra me dar tempo pra pensar, pra raciocinar, o ego, pra entender por quais razões acontecia e eu sabia. eu sabia o que ia acontecer, embora nunca tivesse vivido.
Querido 2011: enjoy the silence
Hoje é 27 de dezembro e a noite tá com cara de virada do ano. Tô ansiosa, não sei se é pelo hábito de estar ansiosa ou porque, enfim, chegou o momento mais ansioso do ano: o fim.
Estou aqui eu fazendo o resgate histórico deste 2011. Cada vez mais o tempo passa rápido – achei que demoraria vidas para chegar o fim do ano e olha só.
2011 foi uma espécie de divisor de águas, foi o processo final e a conclusão de uma etapa da vida que a gente só vê de fora quando joga The Sims (juro).
Terminar a faculdade (embora eu ainda esteja envolvida com ela), quando logo ali atrás, no ensino médio, estar nela era o que a gente mais desejava: não é estranho?
Estou me sentindo mais uma vez sem ter onde pisar: quando a vida passa pra próxima etapa bate essa incerteza do que será daqui pra frente. Já senti isso. A diferença é que antes eu era adolescente e agora, é constrangedor dizer que tá com medo. Que medo? Tu não trabalha? Não paga as contas? Não age que nem adulto? Desculpa, é a crise dos 20 e tantos anos. Coisa que parecia que não ia chegar.
Como foi o seu ano? O meu foi bastante decisivo. Ponto final. Não sei mais o que dizer. Não vou fazer novela: não adianta. Basta pra mim saber o que eu vivi (aprendi?).
Eu continuo igual, continuo com essa cara fechada, com saudade da juventude transviada, com esperanças de encontrar a tranquilidade e a cumplicidade em um amor violento (achei).
Parece que 2012 vai ser mesmo o último ano de nossas vidas (?). Sugiro que aproveitemos esses próximos 365 dias. Não estou me entendendo com os orixás. O ano é de Oxum de novo. Mas sei que vai ser diferente. Vou passar a virada do ano de vermelho, porque eu tenho as minhas apostas. Vou passar a virada cantando Enjoy the Silence, porque essa sou eu, meu deus, words are very unnecessary, they can only do harm.
pleasures remain
so does the pain
Bem-vindo, 2012.
born to die
desculpa, eu sou uma romântica.
eu procuro o meu cúmplice.
aquele que nasceu pra morrer comigo.
pra sentir o vazio. e morrer comigo.
I feel so alone on the friday nights
You make me feel like home,
If I tell you’re mine
As like I told you, honey
Don’t make me sad, don’t make me cry
Sometimes love is not enough and the road gets though
I don’t know why
Keep making me laugh,
Lets go get high
The road is long, we carry on
Try to have fun in the meantime
Take a walk on the wild side
Let me kiss you hard in the pouring rain
You like your girls insane, so
Choose your last words
This is the last time
Cause you and I
We were born to die
meu livro
eu releio os meus textos e me sinto uma idiota, uma hipócrita, uma escritora de novelinhas adocicadas. mas daí eu leio mais a fundo e percebo enunciados cheios de arte, e percebo que é melhor ser feliz do que ser triste, sim, mas que eu estive muito, muito triste e que foi lá que surgiram os meus melhores discursos.
um ano depois e eu percebi que eu tinha razão, que Nietzsche tinha razão. Interpretar a realidade sem existir uma verdade, e o eterno retorno. eu precisei dos meus discursos pra lembrar que eu existi, que algo existiu, que houve o sublime, houve a utopia, e em seguida, do nada, houve a desolação. daí, houve eu. só eu. as usual.
chega dezembro, chega a época do balanço. na cidade não chove, mas o vento teima em puxar a cortina forte pra fora, quebrando o reboco da parede. eu respiro angustiada, mas é diferente. não é desespero, mais. é cansaço. sabe quanto tempo faz que eu não choro, que eu tento chorar e não choro?
perdi o amor, perdi os dias de Maysa, estou lutando pra amar meus dias de solidão.
no entanto,
ontem eu li. eu li o meu livro preferido, que também eu nunca terminei.e depois eu fechei ele e pensei nele o dia inteiro, e agora eu olho pra ele e eu sinto aquilo que há muito tempo eu não sinto: eu.
fiquei tanto tempo no marasmo, fiquei tantos meses pensando na suavidade das coisas, quando por fim, alguém arrebentou a cordinha da máscara e ela caiu. daí, surgiu um monstro horrível, louco, pronto pra gritar, pra amar, pra se desesperar, feito novela mexicana.
sei que estou aqui de novo, lendo meu livro, recuperando (e sorrindo) o meu (talvez) verdadeiro eu.
eu estou feliz, eu estou muito feliz. de novo. pronta pra escrever esses discursos adocicados.
eu prometo que serei mais feliz.
dezembro
parece dezembro de um ano dourado
parece bolero
te quero
te quero
meus olhos molhados
insanos
dezembros
mas quando eu me lembro, são anos dourados
porta
“o que houve contigo”, e é bem provável que tu diga “nada, tô cansado”, como sempre, e ela vai continuar a te encher de lamúrias e tu vai adorar falar sobre ela, porque ela não sabe de mim, pouco soube, pouco sabe que eu fui embora, que eu bati de cara com a minha própria porta e que tu quer morrer.
(a vontade sempre parte de mim, de ir, de sair, embora eu venha e vá e muitas vezes não diga, não te diga, e finjo e finjo e finjo que eu não sei)
“deixa eu te dar um abraço”, ela diz, e com certeza o abraço dela vai valer muito mais do que os meus nestes últimos anos porque quando você diz que o amor fica pra depois porque ele existe e as outras coisas não existem, ele deixa de existir.
o meu desistiu. o meu abraço desistiu faz tanto tempo, deus sabe quanto tempo meu deus
“força”, ela diz, e depois ela morre, ou sou eu? ou fui eu quem morri há muito tempo?
disi nte gr a tio n
i leave you with photographs
pictures of trickery
stains on the carpet
and stains on the scenery
songs about happiness
murmured in dreams
when both us knew
how the ending
would be
tempo
eu sou um drama.
eu não dependo das pessoas, eu nunca dependi.
era tempo, você me salvou
cara, eu acho que eu te salvei
a gente se abraçou e foi tudo tão sereno
e foi pra toda vida
mas nunca é tempo
mas nunca houve tempo
o amor não é o suficiente
mas eu sempre disse que é
ainda é
eu tenho tempo, sabe
que seja eterno enquanto dure
e eu quebro uma garrafa na cabeça de quem passar
é que eu sempre defendi essa coisa toda
o amor infindável
ou eu sou uma otária
o meu irmão diz que é pra sempre
mas não sei aonde ficou aquela coisa brega toda
eu achei que existiu
eu não sei aonde ficou
a gente olhou pra câmera e a gente dançou
nunca houve tempo pra falar
o amor nunca acaba
e a vida continua doce, baby
I love you
bonnie: when we started this I thought we were going somewhere, but I guess its just this. We are just going.
clyde: I love you.
aviso de alerta: um sinal
Embora minha cabeça exploda de vez em quando com ideias que precisam ser escritas,
em tom de promessa, e uma promessa publicada com atraso
eu só volto a escrever aqui depois de entregar minha monografia.
Nos dias do meu aniversário de 22 anos eu recebi 21 visitas no meu blog. Eu volto.
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